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06-02-2008 ////////

Nossa Senhora do Teatro

Instituto com sede na Central do Brasil tem Fernanda Montenegro como madrinha

Sem necessidade de reconhecimento papal, uma santa pagã aportou no Rio de Janeiro para abençoar, em vez de templos católicos, uma oficina profissionalizante de teatro na Central do Brasil. Coincidência ou não, local que batizou o filme que levou Nossa Senhora do Teatro, ou melhor, Fernanda Montenegro, a ser indicada ao Oscar de melhor atriz. “Foi com ela que aprendi a ver o lado humano do teatro, a usá-lo como fonte de educação e transformação”, lembra o ator Ricardo Andrade, de 39 anos, diretor do Instituto Nossa Senhora do Teatro Para as Artes, uma homenagem à atriz que é referência e madrinha do projeto.

 

O embrião do instituto, misto de escola e companhia teatral, surgiu numa oficina de leitura ministrada por Fernanda, em 2002, no Sesc São João de Meriti. Andrade já era ator profissional e saiu dali encantado com os ensinamentos da atriz. Um ano depois, montou a Oficina Escola Cenário, em Nova Iguaçu. Era uma proposta diferente da atual Nossa Senhora do Teatro, que surgiu em seguida e busca aspirantes à profissionalização entre aqueles que não podem pagar um curso de teatro. As inscrições para as 120 vagas estão abertas e a rigorosa prova de seleção está prevista para março, composta por entrevista preparada por psicólogo, aula de corpo e leitura de um texto escolhido na hora – e que tem o principal peso na aprovação. “Maria Clara Machado fazia testes com leituras”, assinala Andrade.

 

Tudo isso porque Nossa Senhora do Teatro também é uma companhia que monta peças e, além da oficina, promove rodas de leitura itinerantes. No ano passado, montaram uma exposição fotográfica na gare da Central. O painel dedicado a Fernanda Montenegro foi campeão de visitas. Todo o trabalho da oficina e da companhia é feito sem patrocínio, contando apenas com alguns apoios.

 

A próxima peça “60 minutos” está sendo escrita por Andrade e conta com supervisão dramatúrgica de Sérgio Britto. Nem terminou essa, que pretende montar até abril, e já está pensando em comemorar os 120 anos da abolição da escravatura. Já tem até nome para a montagem: “O Auto da Escrava Anastácia”.

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