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25-04-2007 ////////
Entre a comédia e as compras
Nada de caneta, caneca ou camiseta com o nome da peça como na Broadway. Em São Paulo, quem for assistir ao espetáculo “Família Muda-se”, estrelado e dirigido por Odilon Wagner, pode sair de lá com souvenir mais criativo: basta subir ao palco após a peça e escolher qualquer objeto que estiver no cenário. A montagem reestreou há duas semanas em São Paulo, no Teatro Cultura Artística.
Para os paulistanos, as expressões “família muda-se” ou “família vende tudo” designam um tipo de comércio de usados realizado na residência de quem está vendendo os produtos. A comédia de Wagner trata de relação familiar e brinca com o título ao colocar todo cenário à venda. “Fazemos café e até bolo. No fi nal, convidamos o público para subir ao palco e conversar com a gente”, conta o ator. São 340 objetos à venda em cena. Na temporada passada, entre agosto e dezembro de 2006, 85 itens foram vendidos. Todos os produtos são consignados de quatro antiquários, que semanalmente fornecem os itens para completar o cenário. Um açucareiro, por e xemplo, já necessitou de cinco substituições. Outro “souvenir” que fez sucesso foram os cavalos-de-pau. “As avós adoram e querem presentear os netos”, conta a atriz Tânia Bondezan. Ela confessa que o elenco também passou por seu momento consumista, que deve se repetir nesta nova fase. Tânia namorava um abajur de vidro. Vendido. Uma delicada caixa de vime e madeira trabalhada foi arrematada pela colega Etty Fra ser, que deu de presente para a atriz Walderez de Barros - que foi assistir ao espetáculo em outubro, no dia de seu aniversário. “Às vezes nem percebemos que a peça já saiu de cena”, diz Tânia.
Se para o ator a troca de produtos é quase imperceptível, produção precisa se desdobrar para não faltar nada. Mas como são artigos de antiquário, às vezes, é difícil encontrar o mesmo para repor. Os preços variam de R$ 15,00 a R$ 2.500,00. Itens pessoais dos atores também entraram no esquema. “Usei um xale meu numa cena e no final da peça uma moça subiu ao palco e foi direto no acessório”, relembra Tânia. “Expliquei que era meu, mas ela insistiu tanto que a cabou levando. O es pec tador já escolhe o que quer antes de a peça acabar”. Nesta trama, a diversão anda de mãos dadas com a tentação de levar um mimo para casa. Tente resistir.