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14-03-2007 ////////

Desde 1997

Armazém Companhia de Teatro abre estoque e planeja novidades

Acomodação é uma palavra que passa longe da Armazém Companhia de Teatro. O nascimento em Londrina, há 20 anos, é o mote para as apresentações, até maio, de cinco peças do “estoque”. Enquanto isso, o grupo guarda na manga nova peça, livro e turnê pelo Nordeste. A celebração começou no dia 8 e, até domingo, a companhia apresenta em seu espaço, na Fundição Progresso, no Rio, o megasucesso “Alice Através do Espelho”. Em seguida, a cada duas semanas, virão “Casca de Noz”, “Pessoas Invisíveis”, “Esperando Godot” e “Toda Nudez Será Castigada”.

 

Em meio a tantos projetos, o diretor do grupo, Paulo de Moraes, estréia, no fim deste mês, em Belo Horizonte, à frente do novo espetáculo do Grupo Galpão, “Pequenos Milagres”. Se Moraes levou os mineiros a experimentar uma linguagem mais urbana e menos farsesca – o Galpão tem no teatro de rua e no canto uma marca registrada – ele ainda não sabe em que isso influenciará a Armazém. “É um encontro feliz e estou aprendendo muito, só não sei ainda dizer o quê”, comenta.

 

Paralelamente, Moraes está escrevendo, ao lado de Maurício Arruda de Mendonça (colaborador de dramaturgia da Armazém), o novo espetáculo da companhia, com estréia prevista para outubro. Mendonça também é parceiro no livro que vai contar a história do grupo por meio dos processos de montagem de seus cinco últimos espetáculos. Oficialmente formada por 11 atores, dois produtores e dois técnicos, a companhia tem dezenas de parceiros constantes, como a atriz Liliana Castro, o iluminador Maneco Quinderé, a figurinista Rita Murtinho e a cenógrafa Carla Berri. Já Paulo Autran, Celso Frateschi (“uma das primeiras pessoas a se interessar pelo nosso trabalho”, diz Paulo), Dan Stulbach e Carolina Kasting são alguns dos atores que participaram de montagens da companhia.

 

Moraes tem uma visão antiestagnação que pode, em parte, explicar a longevidade da companhia. “O mais rico de trabalhar em grupo é que, depois de tanto tempo, um sabe como desafiar o outro. Eu a eles e eles a mim. Isso dá uma dinâmica e cria uma identificação para grupo”, analisa o diretor, que também ressalta o vínculo afetivo entre os membros da Armazém: “Meu filho de 11 anos é amigo dos filhos dos atores. É natural quando se trabalha junto muito tempo”.

 

ARMAZÉM EM TRÊS TEMPOS

 

O diretor Paulo de Moraes destaca três momentos marcantes da trajetória da companhia em seus 20 anos.


• A montagem de “A Ratoeira é o Gato”, em 1993, no Rio de Janeiro. “A peça era meio que um depoimento pessoal e fomos indicados a todos os prêmios. Foi o primeiro passo para nos mudarmos de Londrina para o Rio”.
 

• “Em 1999, a repercussão de ‘Alice Através do Espelho’, já no nosso espaço da Fundição. É uma peça comunicativa para todo tipo de público, tanto para quem quer se divertir como quem busca a filosofia de Lewis Carrol. Também foi quando passamos a nos sentir em casa. Antes era como se fôssemos visitantes”.


• “Gosto muito da peça ‘Toda Nudez Será Castigada’, de 2005, que marca um momento mais maduro do grupo”.

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