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04-11-2009 ////////
Musical Mineiro
Fred Mayrink usa lembranças para criar o delicado "Um Lugar Chamado Recanto"
PEÇA. Este é meu primeiro texto adulto, já havia escrito um musical infantil em 2007. Esta trama nasceu no primeiro tema musical que compus para a peça, dali em diante tudo começou a tomar forma. Muito da inspiração para desenvolver os personagens nasceu de pessoas que conheci, da vasta pesquisa sobre o Vale do Jequitinhonha, do artesanato daquele lugar, nas formas humanas retratadas por vários artistas no trabalho com o barro. Naturalmente,
enquanto eu escrevia a peça, já buscava um conceito emocional e estético para cada personagem. O reflexo dessas descobertas está no perfil de cada um deles. O meu trabalho de direção foi na verdade costurar com muito cuidado as pontas de cada conflito. Estive presente e mergulhado em cada etapa do processo de criação, acompanhando o nascimento de cada personagem no trabalho dos atores, este envolvimento acabou criando um caminho natural para a minha direção.
MÚSICA. A música sempre esteve muito presente em minha vida, passei grande parte da minha infância em Belo Horizonte, assistindo a óperas e concertos no grande teatro Palácio das Artes, onde estudei canto e tive minhas primeiras aulas de violino, abandonando pouco tempo depois o sonho ser músico para fazer teatro. Este musical traz muito da minha paixão pela música. Optamos, desde o primeiro momento, por deixar o espetáculo com uma sonoridade
mineira, o sotaque traz o perigo da caricatura e, por sua vez, o Vale é uma região que se aproxima da Bahia criando um sotaque que se mescla. Ficou mais gostoso o leve temperinho Minas-Bahia.
ELENCO. Dispensamos uma atenção ainda mais especial na busca aos atores que cantassem. Já havia trabalhado com alguns deles e dessa forma novas indicações foram acontecendo naturalmente. A musicalidade foi o grande critério para as escolhas. Mônica Horta e Adriana Moreira cantavam em Belo Horizonte e já apresentavam desde então um trabalho de muita qualidade. A grande surpresa foi conhecer o ator Tino Gomes que hoje interpreta o narrador do espetáculo. Além de ser um ator maravilhoso é também um grande percussionista, trouxe para o nosso espetáculo os tambores mineiros.
CENÁRIO. O conceito do cenário criado por Zé Cláudio é bastante artesanal. Com o apoio de setores do governo de Minas, convidamos a artista mineira Adriana Reis para pintar as telas de abertura do espetáculo e o artista Marcelo Brant para confeccionar nossos estandartes religiosos, ambos, artistas de Diamantina. As máscaras usadas em cena, assim como a noivinha feita em cerâmica, foram confeccionadas no Vale do Jequitinhonha.
TAMBORES. Instrumentos usados nas festas de congado, manifestação cultural e religiosa de origem africana, estes tambores trazem o coração de Minas para a nossa peça. Eles representam a celebração da vida, são o instrumento de abertura do nosso espetáculo. O ator Tino Gomes coordenou uma oficina de percussão com todo o elenco, criando uma sonoridade emocionante e bastante peculiar. Um musical genuinamente brasileiro, com música e letra especialmente
compostas para a peça. Uma grande história de amor que se passa no sertão de Minas Gerais. Apostamos na delicadeza e na simplicidade para contar a história desse lugar chamado Recanto. Liliane Secco assina os arranjos e a direção musical. O espetáculo estreou no Rio de Janeiro, Minas será com certeza um dos nossosdestinos em 2010.
Um Lugar Chamado Recanto
Teatro Clara Nunes
Tel.: (21) 2274-9696
Este espetáculo não é recomendado para menores de 12 anos