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11-11-2009 ////////
A Loba
Christiane Torloni revê peça de Renato Borgui no papel que foi vivido por Raul Cortez
Christiane Torloni e Leonardo Franco, sob direção de José Possi Neto, acabam de estrear em São Paulo “A Loba de Ray Ban”. Trata-se da versão feminina do texto de Renato Borghi montado em 1987, com Raul Cortez no papel principal - que deu a Borghi prêmios como o Molière e o APCA - e que trazia a própria Christiane no elenco, além do ator Leonardo Franco na temporada carioca. Um grande sucesso que marcou a vida dos três artistas. Maria Maya, a “lobinha” da turma, completa o elenco.
“Vivencio um jogral com vozes do passado que continuam em cena”. É desta forma que Christiane Torloni define a sensação de reviver o triângulo amoroso criado por Borghi, ambientado em uma companhia de teatro. “Como tínhamos
apenas cinco semanas para montar o espetáculo, Possi nos pediu que decorássemos o texto antes”, diz a atriz. “De coração, eu dizia o texto da Julia (sua atual personagem) e ouvia o Cortez falando, como se sussurrando ao meu ouvido”, emociona-se. “Agora eu estou começando a vivenciar a personagem.
”Há 22 anos, a atriz interpretou a ex-mulher do ator-empresário bissexual encenado por Raul Cortez. Nesta versão, os papéis se invertem. Ela passa a fazer o papel que foi do antigo companheiro de cena; Leonardo Franco agora encara o personagem que era de Christiane e o papel do jovem ator, representado por Leonardo em 1987, agora é defendido por Maria Maya.
“A sensação que tenho é que a Julia cresceu”, analisa Christiane. “Agora ela é uma mulher de cinquenta anos e se tornou uma loba também. Não é uma inversão e, sim, uma evolução”.
Para Leonardo Franco, a obra de Borghi é divisora de águas. “Quando entrei para o elenco, era um estudante de psicologia e decidi ser ator ainda na faculdade”, relembra. “Fui apresentado ao teatro que dá certo por Cortez e Possi e
isso me marcou profundamente, determinou uma série de escolhas e trajetória que quis seguir a partir de então.” Franco viajou com o elenco – já com Patrícia Pillar substituindo Christiane – por cerca de 10 meses. Quando encerramos a temporada, tinha ainda a necessidade de viver ainda mais um tempo com “O Lobo de Ray Ban”.
Logo em seguida, o ator tomou conhecimento de uma outra versão da obra escrita para a atriz Dina Sfat e foi atrás do autor para conseguir os direitos da peça. “Por incrível que pareça, ele não tinha nenhuma cópia do texto. Consegui em uma biblioteca do Rio de Janeiro”, afi rma Franco. “Guardei a peça por 17 anos com a intenção de reviver aqueles momentos esplendorosos do início de carreira.”
A ideia de Franco era inaugurar o seu teatro, Centro Cultural Solar de Botafogo, com a montagem, mas não conseguiu viabilizá-la. “Estreamos com ‘Campo de Provas’, de Aimar Labaki”, conta. “Para minha felicidade, Labaki estava trabalhando com Ignácio Coqueiro, marido de Christiane”. Por conta disso, a atriz foi assistir a montagem e descobriu que Franco detinha os direitos de “A Loba de Ray Ban”. E não perdeu tempo para procurá-lo interessada em ingressar no projeto. “Obviamente, não poderíamos ter outro diretor senão o Possi”, afirma o ator. “Um dos meus projetos de vida é viver os três papéis: já fui o jovem ator amante, agora sou o ex-marido e daqui a dez anos tenho um compromisso com Borghi para viver o protagonista.”
Para Possi, “A Loba de Ray Ban” é um clássico. “O que governa as relações expostas na trama é uma paixão maior, pelo teatro”, define. E avisa: “É outra peça. Eu não sou o mesmo Possi de 22 anos atrás, Christiane e Leonardo também não o são, crescemos e amadurecemos como artistas e como seres humanos.” Para ele, Borghi fala de temas universais e atemporais. “Estão lá a paixão, o amor, o abandono e a dor da separação e todo mundo se projeta nisso, independente de idade e sexualidade.”
Veja a íntegra da entrevista em www.paginadoteatro.com.br
A LOBA DE RAY BAN
Teatro Shopping Frei Caneca
Tel.: (11) 3472-2229
Este espetáculo não é recomendado para menores de 14 anos