Entrevistas / Perfis
01-08-2010 ////////
Luiz Salem
Ator sobe no salto na peça “O Clã das Divorciadas”
Não é fácil ser mulher. É o que ator Luiz Salem vem constatando durante a temporada de “O Clã das Divorciadas”, texto do dramaturgo Alil Vardar inédito no Brasil e sucesso na França. Com direção de Alexandre Reinecke e ao lado das atrizes Paula Cohen e Maíra Charken, Salem dá vida à personagem Brigitte para narrar o cotidiano de mulheres que encaram o divórcio com muito bom humor. Confira a entrevista:
Como está a temporada de “O Clã das Divorciadas”?
As pessoas estão respondendo ao que a gente esperava. É uma comédia rasgada. A mais comédia de todas, com um homem vestido de mulher no palco. O público se diverte sem medo de ser feliz. A brincadeira é expor mulheres tentando descobrir outros caminhos de felicidade e que acabam descobrindo esse clã, essa amizade, o barato de estarem juntas . Elas querem descobrir o amor de novo, mas com muito bom humor.
Fale um pouco de sua personagem.
A Brigitte é a mais velha do clã. Temos uma jovem de 25, outra de 35 anos e Brigitte, com idade indefinida – segundo ela. Acredito que tenha uns 50 anos. Ela é uma mulher do interior, de Sertãozinho, que cansou de sua vida pacata e resolveu sair em busca de algo novo. Ela tinha um marido vendedor de malas e só ganhava mala de presente. Cansou da mesmice e se tornou motogirl na capital.
Para interpretar Brigitte, você usa salto e outros acessórios?
Uso salto, peruca e peitinho. A única coisa que é minha é bunda, já que a personagem é uma mulher de certa idade. É difícil se equilibrar em salto alto. E eu ainda tenho um agravante: por conta das cores do figurino, um dos meus sapatos não foi encontrado no número do meu pé. Uso salto 43, bico fino, em um pé 44! No começo era difícil, mas hoje já esqueço e não me incomodo. É como se ao adentrar no palco aquele pé não fosse mais meu, se adaptou ao personagem. O engraçado é que manco nas coxias o tempo todo.
Por ser uma obra francesa, o texto precisou de muitas adaptações?
Sim, com certeza. Mas a característica de ter em cena um homem vestido de mulher veio da França. Mesmo sem ter algo que justifique na trama, como em alguns espetáculos. Alil Vardar é um grande comediante e acreditamos que escreveu essa peça para ele. Então escolheu esse personagem para fazer e chamou duas atrizes. Mas em relação ao texto, mexemos bastante nas piadas, pois tinham referências muito francesas. A personagem da Maíra, por exemplo, originalmente era inglesa, que tem uma rivalidade com as francesas. No Brasil isso não tem tanto sentido. Aí colocamos uma mulher filha de argentina com inglês. Houve um cuidado em aproximar o texto ao nosso universo, mas o assunto é universal: mulheres se divorciam na França, no Japão ou no Brasil e o sentimento de solidão é o mesmo.
Há quantos anos não ia a São Paulo com um espetáculo?
Minha última temporada na cidade foi em 2004, em um teatro que nem existe mais, o Crowne Plaza. E também nunca havia trabalhado com o diretor Alexandre Reinecke, de quem tinha ótimas referências. Estava com saudades da energia paulistana. Esse público abraçou a comédia, desde o boom dos espetáculos stand up até as produções mais tradicionais. É uma plateia muito diferente do Rio de Janeiro. O aplauso paulistano é muito grande.
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