Entrevistas / Perfis
03-03-2010 ////////
O Homem Inesperado
Paulo Goulart e Nicette Bruno começam a nova turnê do espetáculo pelo Rio
Visto por mais de 210 mil espectadores em quatro anos, o espetáculo “O Homem Inesperado” desembarca no Rio de Janeiro após temporada de um mês em Portugal. Dirigida pelo estreante Emílio de Mello, a peça foi escrita pela francesa Yasmina Reza, que tem seus textos disputados pela cena teatral europeia. No elenco, está o casal Nicette Bruno e Paulo Goulart, que está de volta aos palcos para celebrar dois prêmios ganhos recentemente por conta do trabalho que vem desenvolvendo com o projeto Teatro nas Universidades.
Lisboa
Nicette: A receptividade do público português foi ótima. Eles atenderam lindamente a proposta, foi um sucesso. Os aplausos intermináveis são inesquecíveis. Foi uma experiência fantástica.
Paulo: Eles têm um comportamento diferenciado do nosso. Na Europa o teatro é muito valorizado. Precisamos mudar algumas palavras para que o entendimento fosse melhor.
Teatro nas Universidades
P: A semente do Teatro nas Universidades nasceu bem há mais de 20 anos, mas somente há seis ele efetivamente existe. A gente percebeu que tinha uma faixa de público que precisava ser explorada, queríamos que os alunos assistissem aos espetáculos e pudessem discutir depois. Soubemos que o índice de jovens, incluindo universitários, que nunca tinha ido ao teatro era enorme, então resolvemos montar o projeto. Estamos entrando no sexto ano, já passamos de mais de 100 mil universitários e estudamos a possibilidade de trazer esse projeto para o Rio.
N: Foi uma delícia receber o prêmio, que é o resultado de um trabalho reconhecido. Me deixou muito feliz e estimulada. Esse ano, vamos levar para as universidades os espetáculos “Mediano”, “Aurora da Minha Vida” e “O Homem Inesperado”.
O Homem Inesperado
N: Esse texto é inteligente, sagaz e inspira a sua imaginação porque o espectador fica como um voyeur dos pensamentos dos personagens. Eles não se conhecem, o acaso faz com que eles se encontrem inesperadamente em uma cabine de trem. Ela é leitora assídua das obras de Paul Brodsky e ele está em um momento mal-humorado da vida fazendo reflexões sobre a realidade e o envelhecimento.
P: Nesse texto, nós falamos de vários personagens, então tem um aspecto bem literário, onde você imagina o que a gente está falando. O mais importante é que apesar de toda essa estrutura literária, ele é muito simples e chega ao público de uma maneira curiosa. O que me fascina nesse espetáculo é exatamente essa magia de envolver o espectador.
Yasmina Reza
P: A Yasmina é uma pessoa que tem uma teatralidade e um senso de observação imenso sobre os seres humanos. A impressão que a gente tem é que ela está falando de amigos dela.
N: Ela é instigante. Diria que ela pega temas às vezes inusitados e complicados para discutir o elemento humano, isso me fascina. Ela conhece tanto a alma masculina quanto a feminina, é uma analítica da vida.
Identificação
N: Em alguns momentos, eu me identifico com a Martha. Como mulher, me identifico com o lado romântico que ela vê o mundo.
P: O Paul Brodsky é uma pessoa curiosa porque ele tem uma barreira. Ele não quer ter contato nenhum com imprensa, não quer que as pessoas saibam da vida dele, mas ao mesmo tempo tem uma necessidade enorme de se mostrar. É uma pessoa que está ficando velha, muito carente, vaidoso, mas no fundo é tímido.
Marido e mulher
N: É muito bom porque existe uma sintonia, existe uma parceria, a gente se entende.
P: Eu diria que a gente tem as mesmas essências com maneiras diferentes de executá-las.
N: O que é muito gostoso, instigante. Cada trabalho é uma experiência nova.
Ouro de Minas
A Noite Mais Fria do Ano
Kalma Murtinho
Luiz Fernando Guimarães
Musical Mineiro
Aderbal Freire-Filho