Entrevistas / Perfis

Analu Prestes, Clarice Derzié Luz, Patrícia Pinho, Vanessa Gerbelli e Sara Antunes/ Foto de Sandra Delgado

20-01-2010 ////////

Maitê Proença

Autora de "As Meninas" fala sobre seu espetáculo que tem nova temporada no Rio

Maitê Proença não tinha a menor dúvida de que “As Meninas”, sua segunda peça teatral, seria sucesso de público e de crítica. Dirigido por Amir Haddad, o espetáculo se passa no velório de Consuelo, personagem de Vanessa Gerbelli, e é lá que a filha (Sara Antunes) da falecida e sua melhor amiga (Patrícia Pinho), ambas com 12 anos, falam sobre diversos assuntos sem papas na língua: “Quis situar a minha peça em um velório para ter o dramático e o trágico da morte, mas queria que esses sentimentos fossem quebrados pelo humor. Para isso, montei o texto pelo ponto de vista das crianças porque elas falam tudo que o adulto normalmente trava”, diz.

A autora conta que se envolveu em todas as etapas do espetáculo e explica porque resolveu não atuar: “Achei que as pessoas iam ficar imaginando coisas, pensando que partes do texto falavam sobre mim especificamente. As minhas personagens não têm nenhuma modéstia, vou falar igual a elas agora: acho que temos um texto tão magnífico (risos), que não precisa de um elenco estrelar. Quis apostar que a arte seria o suficiente, fui atrás de cinco magníficas atrizes e encontrei”.

A indicação do nome de Sara Antunes para viver a menina órfã surgiu depois que Maitê assistiu à performance da atriz no monólogo “Negrinha”. Já Patrícia Pinho foi escolhida em testes depois que a atriz que viveria Luzia precisou sair do projeto. Vanessa Gerbelli foi a última a entrar no espetáculo. A autora pensou em vários nomes para viver Consuelo e quando o nome da atriz veio em sua cabeça teve certeza que ela era ideal para o papel. A cena se completa com Analu Prestes e Clarice Derzié Luz, responsáveis por dar vida a quatro personagens que fazem parte do imaginário das meninas, entre tias, avós e empregadas.

Proença revela que Amir Haddad mudou toda a direção do espetáculo a partir da cenografia, feita por Cristina Novaes, que investiu no movimento e na simplicidade das paredes brancas. Já os figurinos de Beth Filipecki são ricos, cheios de cores e mesclam elementos de épocas diversas.

O embrião de “As Meninas” é um esquete da primeira peça escrita por Maitê, “Achadas e Perdidas”, em que duas meninas viviam emoções muito fortes em um curto espaço de tempo, e levavam a plateia do riso ao choro: “Percebi que esse esquete merecia transformar-se numa peça a partir do público porque ali eu pegava a plateia pelos dois lados, pela comédia e pelo drama. Gosto dessas emoções coladas assim. Acho que isso é bom porque, normalmente, a gente vê uma coisa ou outra. Pensei que poderia tratar da morte com uma irreverência e com a delicadeza que o tema precisa”, diz.

No elenco da próxima novela de Sílvio de Abreu, “Passione”, Maitê vai dividir seu tempo entre as gravações e o programa “Saia Justa”, do GNT. A atriz revela que sua personagem é uma mulher casada, mãe de três filhos, que é sempre deixada de lado pelo marido, preocupado com os negócios. Apesar disso, ela não reclama de nada, pois sai todas as tardes para fazer compras, ir ao cinema e namorar homens variados.
 

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