Entrevistas / Perfis
01-02-2010 ////////
Louise Cardoso
Atriz volta aos palcos com comédia assinada por Fabio Porchat
Após oito anos longe da comédia no teatro, Louise Cardoso está de volta com o espetáculo “Velha é a Mãe” (leia sobre o espetáculo aqui). Ela interpreta uma mulher de 70 anos que faz de tudo para parecer mais nova: aulas de boxe, plásticas, entre diversos outros recursos da atualidade. Depois de “Mãe Coragem e Seus Filhos”, de Bertold Brecht, espetáculo em que dividiu o palco com a Armazém Companhia de Teatro, ela agora entra em cena com Ana Baird, atriz que interpreta sua filha, Alice, fruto do casamento que acabou de terminar. As duas já dividiram a cena no filme “Parceiros da Aventura”, de José Medeiros, em 1980. Trinta anos depois, elas retomam os mesmos papéis no Teatro Sesi, no Rio. O texto, inédito, é de Fábio Porchat e a direção é de João Fonseca.
Como você descobriu o texto de “Velha é a Mãe”, do Fábio Porchat?
Depois de “Mãe Coragem e Seus Filhos”, há muito tempo eu queria fazer uma comédia, um texto que matasse as pessoas de rir. Então chamei o João Fonseca, que é um diretor que admiro muito, e ficamos lendo diversos textos para tentar escolher entre eles. Lemos um texto muito legal antes de “Velha é a Mãe”, mas ele tinha 17 personagens, o que complicava um pouco a montagem. O Tatu Gabus tinha me falado de um texto muito engraçado do Fábio Porchat. Era “Velha é a Mãe”. Recebi por email, li, fiquei apaixonada e resolvi montar.
O que te atraiu especialmente neste texto?
Foi a originalidade da história. A peça fala sobre uma mulher de 70 anos que procura aparentar 20 anos a menos. Ela não aceita a idade que tem e quer chamar a atenção do marido aparentando ser mais jovem, mas acaba sendo trocada por uma mulher mais velha do que ela, o que descobre mais tarde. A personagem faz tudo o que pode fazer, usa todos os recursos da atualidade e pira quando o marido a deixa por uma mulher mais calma. A peça fala da eterna juventude. A personagem chegou a falsificar a identidade e proibiu a filha de dizer que tem 39 anos. Ela tem muita energia.
É triste, apesar de cômico, não acha?
Toda a vez que a gente faz uma comédia tem uma situação dramática por trás. O que eu gosto nesta comédia é a contemporaneidade do assunto. Esta peça, por exemplo, não julga o personagem, que está à beira de um ataque de nervos, mas aborda o drama desta mulher sobre a questão do envelhecimento. Ela muda e reflete quando descobre que é trocada por uma mulher mais velha. Acho que esta peça tem um toque para nós, mulheres. O olhar que o Fábio tem sobre o assunto é muito interessante e me encantou.
Você ficou oito anos sem fazer comédia no Teatro. Sentiu falta?
Senti muita falta de fazer comédia. Fiz muita peça dramática, mas às vezes me dava uma tristeza. Fiquei muito desgastada pela energia do personagem que interpretei em “Mãe Coragem e Seus Filhos”. Esta personagem que faço agora está à beira de um ataque de nervos, mas parece que o público me alimenta com uma energia boa. A resposta da plateia é alegre e o retorno é imediato. Tem coisas tão horríveis acontecendo no mundo e eu estava sentindo falta de alegria.
Como você escolheu a Ana Baird, que interpreta a sua filha?
Gosto e acompanho o trabalho desta atriz. Já queria ter trabalhado com ela em “Mãe Coragem e Seus Filhos”, mas como era com o Armazém, não pude convidá-la. Quando ela tinha oito anos, fez um filme comigo, que se chamava “Parceiros da Aventura” (1980), de José Medeiros, e não lembrava que era ela. Ela era a milha filha no filme. Foi uma ótima coincidência. Quando tive esta oportunidade agora, Ana foi a primeira atriz que veio à minha cabeça.
Depois do Rio, para onde segue “Velha é a Mãe”?
Temos uma estrada grande com a peça depois do Rio. A gente deve fazer Niterói, Petrópolis, depois o circuito SESC, no Brasil todo, e em agosto estreamos em São Paulo, mas ainda não está certo. O espetáculo lotou no primeiro fim de semana e pode ser que a temporada seja prorrogada, mas quem vai dizer isso é o público. Depois disso a peça deve voltar para a Zona Sul do Rio. Quero ficar bastante tempo com esta comédia e fazer o público rir bastante.
Maria Maya
O Homem Inesperado
Marisa Orth
Sopros de Vida
Fernando Eiras e Emilio de Mello
Ary Coslov