Memórias

05-03-2010 ////////

UM GIGANTE EM CENA

Há 27 anos o Brasil perdia Jardel Filho, um de seus maiores atores

Jardel Frederico Gonzaga de Bôscoli nasceu em São Paulo no dia 24 de julho de 1927, em uma família de artistas - filho do empresário teatral Jardel Jércolis e da atriz Lídia Bôscoli, primo de Ronaldo Bôscoli e sobrinho-neto de Chiquinha Gonzaga.

Levado pelas mãos do autor e diretor Miroel Silveira, Jardel entrou para o teatro na década de 40, assumindo sua veia artística ao estrear no palco com a peça “Desejo”, sob direção de Ziembinski. A atuação lhe rendeu a medalha de ouro da Associação Brasileira de Críticos Teatrais, ABCT, como revelação do ano.

Ator de enorme carisma e grande presença em cena, Jardel foi um artista intenso, marcante e forte, tanto em sua aparência física quanto em sua dedicação à interpretação. Teve uma carreira notável, atuando exaustivamente no teatro, cinema e televisão. “Jardel foi um dos melhores atores brasileiros. Além de ser lindo, ele era um excelente profissional, amava sua profissão como ninguém, era perfeccionista e estudava muito. Ele não admitia errar,” conta a atriz Maria Della Costa.

No teatro, Jardel atuou em quase todas as companhias de sua época: Dulcina de Morais, Bibi Ferreira, Henriette Morineau, Eva Todor, Artistas Unidos e Companhia Carioca de Comédia. Também trabalhou no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) e encenou várias peças no Teatro Maria Della Costa (TMDC). “Trabalhamos muito juntos, ele era um de meus melhores galãs. Se fosse vivo hoje, seu conselho para a nova geração seria não parar de estudar,” diz a atriz.
Foi dirigido por Ademar Guerra, Antunes Filho, Ivan de Albuquerque, Flávio Rangel e Antonio Abujamra. Conquistou mais três prêmios: Saci; Governador do Estado de São Paulo; e outra Medalha de Ouro da ABCT.

No cinema, além de ter atuado em mais de trinta filmes, como “Macunaíma”, “Pixote” e “Terra em Transe”, Jardel teve uma extensa carreira, com mais de doze filmes feitos na Europa e, na Argentina, ganhou o prêmio de melhor ator pelo filme “Plaza Huincul”. Seu último filme foi "Rio Babilônia", de Neville D'Almeida, que estreou depois da morte do ator .
A partir dos anos 70 fez mais trabalhos na televisão. Versátil, atuou em 17 novelas e minisséries. Seu último espetáculo no palco, depois de sete anos sem atuar em teatro, foi “Eu Posso?”, em 1982. “O teatro era seu sacerdócio, era o seu oxigênio,” relata Adriana Bôscoli, filha do ator.

Jardel morreu no dia 20 de fevereiro de 1983, de ataque cardíaco, quando ainda interpretava os capítulos finais de "Sol de Verão", de Manoel Carlos, na TV Globo, fazendo com que o final da novela fosse antecipado.
Seu enterro foi aberto ao público, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, no meio do Carnaval carioca. Mais de 20 mil pessoas prestaram homenagem a ele, largando o desfile e indo ao seu enterro ainda com suas fantasias. “Era carnaval e tudo parou por ele. Fiquei emocionada de ver a quantidade de pessoas que amavam meu pai. Acho que ele ficaria feliz em ver tudo aquilo depois de tantos anos de trabalho,” lembra Adriana. Um final poético para um ator cuja interpretação foi cheia de poesia e lirismo.

Foi casado com a empresária Maria Augusta Nielsen e com as atrizes Márcia de Windsor, Glauce Rocha e Myriam Pérsia. Deixou duas filhas, Tânia Bôscoli, também atriz e filha de Myriam Pérsia, e Adriana de Bôscoli, atriz e produtora, filha de Beth Drummond.

Para esse ano, Adriana planeja lançar um livro resgatando a história do pai. Em julho, Jardel será homenageado pelo artista plástico Marcus Marin, com uma escultura ótica para o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.


 

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Carreira

  • Teatro
    Rio de Janeiro
    1946 “Desejo”
    1946 “Era Uma Vez Um Preso”
    1946 “A Rainha Morta”
    1946 “Avatar”
    1946 “Ana Christie”
    1947 “Terras do Sem Fim”
    1947 “A Filha de Iório”
    1948 “Já é manhã no Mar”
    1948 “Chuva”
    1948 “Águia de Duas Cabeças”
    1948 “A Família e a Festa na Roça”
    1949 “Senhora”
    1949 “Querida Ruth"
    1949 “Beija-me e Verás”
    1949 “Sonho de Outono”
    1949 “Scampolo”
    1949 “Divorcio”
    1950 “Escândalos 1950”
    1950 “Miss France”
    1951 “O Complexo de Meu Marido”
    1951 “A Poltrona 47”
    1951 “Um Cravo na Lapela”
    1951 “Josefina e o Ladrão”
    1952 “Os Ovos do Avestruz”
    1952 “Jezebel”
    1952 “A Cegonha se Diverte...”
    1952 “Manequim”
    1953 “Mulheres Feias”
    1956 “Sabrina”
    1956 “Timbira”
    1956 “Duelo de Amor”
    1962 “A Invasão”
    1963 “Boeing-Boeing”
    1964 “Os Direitos da Mulher”
    1965 “Qualquer 4a Feira”
    1965 “Vamos Brincar de Amor em Cabo Frio”
    1966 “O Sr. Puntila e Seu Criado Matti”
    1966 “Tartufo”
    1960 “Plantão 21”
    1967 “O Queridinho”
    1968 “O Preço”
    1969 “Falando de Rosas”
    1969 “Beco sem Saída”
    1970 “LSD”
    1970 “Promessas & Promessas”
    1975 “Golpe Sujo”
    1982 “Eu Posso?”

    São Paulo
    1947 “Vestido de Noiva”
    1947 “Era uma Vez um Preso”
    1954 “O Leito Nupcial”
    1954 “Negócios de Estado”
    1954 “Cândida”
    1954 “Assassinato a Domicílio”
    1956 “A Rosa tatuada”
    1956 “Moral em Concordata”
    1959 “Viagem a Três”
    1959 “Plantão 21”
    1960 “Auto da Compadecida”
    1960 “Geração em Revolta”
    1966 “Julio César”