Memórias

Angela Leal, Fernanda Torres, Sérgio Britto e Ariclê Perez em montagem de Rei Lear/Divulgação

15-01-2010 ////////

Teatro dos 4

Conheça a história de um dos teatros mais tradicionais do Rio de Janeiro

Inaugurava em 11 de julho de 1978, o Teatro dos 4, um dos mais importantes centros de produção teatral do Brasil. Formado pelos produtores Paulo Mamede, Mimina Roveda e Sergio Britto, o local lançou autores ainda desconhecidos no país e acolheu apresentações de diversas manifestações artísticas que não o teatro, com o objetivo de firmar-se como um verdadeiro centro cultural. De acordo com a crítica de teatro Barbara Heliodora, o empreendimento marcou época: “O Teatro dos 4 foi muito importante quando nasceu porque era o veículo de uma proposta de seus sócios, que apresentaram um belíssimo repertório”, diz.

Com uma extensa lista de prêmios, suas produções, durante anos, foram reconhecidas e acolhidas por suas qualidades. Além disso, o teatro hospeda muitos espetáculos de sucesso na cena nacional, sendo até hoje, na opinião dos próprios artistas, um dos teatros preferidos pelas condições que proporciona ao público e às produções.

“Os Veranistas”, de Máximo Gorki foi a primeira peça a subir ao palco do Teatro dos 4. O espetáculo, dirigido por Sergio Britto, tinha cenário de Hélio Eichbauer e um elenco de 12 atores consagrados. Simultaneamente, a equipe produzia a “A Ópera do Malandro”, de Chico Buarque, que estreava no Teatro Ginástico. Em 1979, o Teatro dos 4 abriga “Ato Cultural”, de José Ignácio Cabrujas, “Papa Highirte”, de Oduvaldo Vianna Filho, e um desempenho premiado de Renata Sorrah em “Afinal uma Mulher de Negócios”, de Fassbinder, todos textos inéditos no Brasil. Em 1982, estreia um dos maiores sucessos do teatro, “As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant”, primeira encenação brasileira do texto de Fassbinder, com direção de Celso Nunes, trazendo no elenco Juliana Carneiro da Cunha e Fernanda Montenegro no papel título.

A partir da montagem Rei Lear, de William Shakespeare, em 1983, o Teatro dos 4 passa a ter o financiamento da Shell, que resulta em 16 espetáculos e 36 prêmios. Em 1985, estreia no teatro um novo diretor, descoberto por Tônia Carrero em Nova York, Gerald Thomas. Ele dirige Ítalo Rossi, Rubens Corrêa e Sergio Britto em “Quatro Vezes Beckett”. No ano seguinte, acontece o maior sucesso do grupo: “Sábado, Domingo e Segunda”, de Eduardo De Filippo, que permanece um ano e meio em cartaz. Em 1987, estreia Mauro Rasi, em sua nova fase de autor depois dos anos de "besteirol", com “A Cerimônia do Adeus”, primeira de uma série de peças autobiográficas. “Filumena Marturano”, de Eduardo De Filippo, 1988, foi protagonizada por Yara Amaral, que teve sua carreira interrompida quando a atriz morre no naufrágio de um barco superlotado na festa de Ano Novo. O espetáculo retorna ao palco com Nathália Timberg. Fora os intérpretes e diretores já citados, marcam também a trajetória do Teatro dos 4: Paulo Betti, Jacqueline Laurence, José Wilker, Ary Fontoura, entre outros.

Barbara Heliodora acompanhou de perto muitos destes espetáculos, mas destaca um em especial: “Vou citar um que pouca gente vai lembrar, o “Tio Vânia” que tinha uma bela atuação de Armando Bogus no papel título”, diz.
 

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Repertório do Teatro

  • 1978 – Os Veranistas

    1978 – Ópera do Malandro

    1979 – Papa Highirte

    1979 – Afinal uma Mulher de Negócios

    1980 – Os Orfãos de Jânio

    1980 – Morte Acidental de um Anarquista

    1981 – Comunhão de Bens

    1982 – O Suicídio

    1982 – As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant

    1983 – O Rei Lear

    1984 – Tio Vânia

    1985 – Assim é se lhe Parece

    1985 – 4 Vezes Beckett

    1986 – Imaculada

    1986 – Sábado, Domingo e Segunda

    1987 – A Cerimônia do Adeus

    1988 – Filumena Maturano

    1989 – O Jardim das Cerejeiras

    1991 – O Baile de Máscaras

    1992 – Projeto Presença Mineira

    1993 – Mephisto