Memórias

Palco do TBC/

13-10-2009 ////////

TBC – Teatro Brasileiro de Comédia

Uma revolução na dramaturgia nacional

A companhia paulistana, fundada por Franco Zampari em 1948, mudou o rumo do teatro nacional. Foi a partir das inovações do empresário italiano que começou a ser desenhada a profissionalização teatral no país, com grande preocupação artística e sucessos de bilheteria. O grupo revelou grandes nomes como Cacilda Becker, Paulo Autran, Sérgio Cardoso, Tônia Carreiro e Cleyde Yáconis.

Zampari se aproximou do movimento teatral amador de São Paulo a partir de 1945, após a montagem de uma peça escrita por ele. Como mal havia salas para as apresentações, ele propôs a fundação da Sociedade Brasileira de Comédia, entidade sem fins lucrativos que congregaria os grupos de teatro amadores. Alugou um sobrado no bairro da Bela Vista, na Rua Major Diogo, para transformá-lo em um estruturado teatro, chamado na época de ‘teatro assobradado’. O TBC foi inaugurado três anos mais tarde com as peças “La Voix Humaine”, de Jean Cocteau, por Henriette Morineau, em francês, e “A Mulher do Próximo”, de Abílio Pereira de Almeida, com o Grupo de Teatro Experimental, dirigido por Alfredo Mesquita.

A companhia seguiu com montagens amadoras e, em 1949, estreou sua fase profissional com “Nick Bar... Álcool, Brinquedos, ambições”, de William Saroyan, dirigida por Adolfo Celi. A partir daí, segue um longo aprendizado técnico e artístico em busca de um teatro mais sofisticado. Cacilda Becker foi a primeira atriz contratada pelo TBC, seguida de Paulo Autran, Madalena Nicoll e muitos outros nomes que marcaram o teatro nacional. Houve também a implementação de inovações técnicas, como a utilização de palcos giratórios, com a peça "Entre Quatro Paredes", de Jean Paul Sartre, também dirigida Celi. No início da década de 50, o TBC já havia conquistado a posição de um dos mais importantes do país.

Em 1954, Zampari abriu uma filial no TBC com intuito de prolongar a temporada das produções e aumentar a renda da companhia. A crise começa a rondar o teatro. Em 1955, Tônia Carrero, Adolfo Celi e Paulo Autran saíram do grupo para fundar companhia própria no Rio. Em 1957, após o sucesso de “Rua São Luís, 27 - 8º Andar”, de Abílio Pereira de Almeida, Cacilda Becker e Walmor Chagas também se despedem e criam o Teatro Cacilda Becker - TCB.

Produções da companhia de Cacilda e do Teatro de Arena deram novo gás à dramaturgia nacional e o TBC mergulhou em grande crise. Em 1959, foi a vez de Fernanda Montenegro deixar a companhia para fundar o Teatro dos Sete (embrião do Teatro dos Quatro), ao lado de Sérgio Britto, Gianni Ratto e Ítalo Rossi. Um ano mais tarde, Zampari entregou a direção artística da casa a Flávio Rangel, primeiro brasileiro a comandar a companhia.
Rangel emplacou sucessos como “A Semente” (1961), de Gianfrancesco Guarnieri, “Revolução dos Beatos” (1962), de Dias Gomes e “Vereda da Salvação”, de Jorge Andrade, última produção da casa, em 1964. Depois de 16 anos, 144 peças e mais de dois milhões de espectadores, o TBC foi fechado e deu lugar a um teatro de aluguel.

Na década de 80, houve uma tentativa de recuperar um pouco do brilho dos anos áureos do espaço. Antônio Abujamra apresentou sete espetáculos com o “Projeto Cacilda Becker”. E o teatro foi comprado e tombado pelo Condephaat dois anos mais tarde. No início dos anos 90, repleto de dívidas, acabou arrendado pela prefeitura.

No fim daquela década, houve a grande e última tentativa de reativar o TBC. Com investimento de cerca de R$ 4 milhões, o empresário Marcos Tidemann reformou a estrutura e entregou a direção artística ao diretor Gabriel Villela. Por lá passaram boas peças do eixo Rio/SP – uma das salas serviu de sede para o grupo Parlapatões, Patifes e Paspalhões. Mas, mais uma vez, a crise financeira engoliu a arte. Com faturamento abaixo do esperado, o “Novo TBC”, como era conhecido, encerrou as atividades artísticas do pequeno prédio do centro da cidade em 2003.

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FatosMarcantes

  • 1948 - A Companhia Teatro Brasileiro de Comédia foi criada pelo empresário italiano Franco Zampari .
    1949 - A estréia de “Nick Bar... Álcool, Brinquedos, Ambições”, de William Saroyan, sob a direção de Adolfo Celi, marca a profissionalização do grupo.
    1950 - Ziembinski passa a integrar o conjunto, assinando a direção de algumas encenações.
    1951 - Cacilda Becker é a protagonista de “A Dama das Camélias”, de Alexandre Dumas Filho, com encenação de Luciano Salce, que comemora os três anos do TBC.
    1952 – Adolfo Celi dirige “Antígone”, que une a tragédia clássica de Sófocles e a versão moderna de Jean Anouilh.
    1953 – Apesar do sucesso, a companhia amarga dívidas. Sergio Cardoso e Nydia Licia se desligam para fundar a Companhia Nydia Licia - Sergio Cardoso.
    1954 - Como tentativa de contornar a crise, Zampari abre uma sucursal do TBC no Rio de Janeiro, na tentativa de estender a temporada das produções.
    1955 - Um incêndio destrói parte dos figurinos e equipamentos, mas o grupo ressurge com bons projetos de Ziembinski. Adolfo Celi, Paulo Autran e Tônia Carrero deixam a Cia. para fundar uma companhia própria.
    1956 – A companhia continua com peças de sucesso, como “Eurydice”, de Jean Anouilh, dirigida por Gianni Ratto.
    1957 – Cacilda Becker deixa o TBC, ao lado de Walmor Chagas, para fundar o Teatro Cacilda Becker - TCB.
    1958 - Apesar do sucesso de “Um Panorama Visto da Ponte”, de Arthur Miller, a crise financeira torna-se incontornável para Zampari.
    1959 – É a vez de Sergio Britto, Gianni Ratto, Ítalo Rossi e Fernanda Montenegro dizer adeus ao TBC para fundar o Teatro dos Sete.
    1960 - Zampari entrega a direção artística da casa a Flávio Rangel, primeiro diretor brasileiro a assumir a companhia.
    1961 – O novo diretor consegue emplacar sucessos de público, como “A Semente”, de Gianfrancesco Guarnieri.
    1962 – Entre as peças da programação, Antunes Filho dirige “Yerma”, de Federico García Lorca.
    1964 – Antunes também assina direção de “Vereda da Salvação”, de Jorge Andrade, última produção da companhia. Em 16 anos de atuação, o TBC produziu 122 espetáculos.