Memórias

Miguel Falabella em "Sereias da Zona Sul"/ Divulgação

13-10-2009 ////////

Teatro Besteirol

Gênero formou autores, atores e público na década de 80

Humor anárquico e rompimento com o engajamento e a cultura dita erudita foram alguns dos pilares do Teatro Besteirol, movimento teatral que nasceu no Rio de Janeiro na década de 80. Desprovido de preconceitos, o Besteirol incorporou diversas referências da cultura brasileira para montar uma caricatura do comportamento cotidiano.

Para Bárbara Heliodora, crítica de teatro do jornal O Globo, o Besteirol foi uma espécie de “herdeiro meio torto” da tradicional comédia de costumes, o lado mais forte de toda a dramaturgia brasileira. “Depois da negra época da censura, a aparição dos besteiróis se apresentou como uma forma de comunicação imediata. Este foi um ótimo instrumento para que o teatro começasse a atrair de novo um público que andava muito afastado", avalia Bárbara.

O nome dado ao movimento, no entanto, não é bem aceito por vários atores que fizeram parte desta geração do teatro brasileiro. "Talvez por causa desse nome que lhe foi dado, e que alguns julgam ser por isso mesmo uma besteira, o que não é verdade", afirma Bárbara. Os textos rápidos e de fácil consumo traduziam o momento em que eram escritos, o que é considerado um rompimento com o teatro engajado da ditadura militar.

Para Bárbara, mérito do besteirol foi ter levado uma comédia crítica para o palco. - Após a censura, esse dizer o que quisesse, mesmo que a crítica fosse sem garras muito profundas, sempre refletindo o momento, com suas modas e tolices. Havia esse componente de imediatismo no riso do besteirol que transmitia um saudável e estimulante clima de liberdade - defende.

O formato das apresentações era simples: esquetes cheias de referências ao próprio mundo, sempre dominadas pelo riso crítico. Entre os artistas do movimento, destacaram-se Miguel Magno, Ricardo Almeida, Vicente Pereira, Guilherme Karan, Miguel Falabella e Mauro Rasi, entre outros.

Algumas das peças que marcaram esta época são “Quem Tem Medo de Itália Fausta”, “Bar Doce Bar”, “C... de Canastra”, “Batalha de Arroz Num Ringue Para Dois” e “Pedra, a Tragédia”, entre muitos outros Para Bárbara Heliodora, um dos pontos altos do movimento foi a esquete de Falabella e Karam na sauna, da peça “Sereias da Zona Sul”.


No final dos anos 80, o besteirol caiu em desuso, mas sua marca permanece viva no teatro brasileiro.

 

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PeçasMarcantes

  • 1979 – Quem Tem Medo da Itália Fausta (Miguel Magno e Ricardo Almeida)
    1982 – Bar, Doce Bar (Felipe Pinheiro e Pedro Cardoso)
    1982 – Doce Deleite (Mauro Rasi, Vicente Pereira e Alcione Araújo)
    1982 – A Mente Capta (Mauro Rasi)
    1984 – A Família Titanic, ou, A Família que Afunda Rindo (Mauro Rasi)
    1985 – Pedra, a Tragédia (Mauro Rasi, Miguel Falabella e Vicente Pereira)
    1985 – Tupã, a Vingança (Mauro Rasi)
    1985 – Batalha de Arroz num Ringue para Dois (Mauro Rasi)
    1986 – A Divina Chanchada (Vicente Pereira)
    1987 – C... de Canastra (Pedro Cardoso e Felipe Pinheiro)
    1987 – A Cerimônia do Adeus (Mauro Rasi)
    1987 – As sereias da Zona Sul (Miguel Falabela e Vicente Pereira)
    1988 – A Bofetada (Mauro Rasi)