Memórias

O dramaturgo

25-11-2009 ////////

Plinio Marcos

Um maldito genial e perseguido

Nascido em Santos em 1935, Plínio Marcos de Barros entra para as artes na sua juventude através do circo. Em sua cidade natal, ganha reconhecimento como o palhaço Frajola. Em 1958, foi escalado para uma substituição no grupo amador de Patrícia Galvão, a Pagu, e conhece autores como Samuel Beckett e Fernando Arrabal. No mesmo ano escreve sua primeira peça: “Barrela”. A obra foi censurada por ser considerada pornográfica e só liberada para uma única apresentação em 1º de novembro de 1959. Depois, permaneceu proibida por mais 21 anos.

Mudou-se para São Paulo no ano de 1960. Atuou na companhia de teatro da Jane Hegenberg antes de ser aprovado na seleção do grupo de Cacilda Becker. Em 63 começa a escrever para o programa TV de Vanguarda, da TV Tupi. Em 1965, tentou montar sua primeira peça em São Paulo, “Reportagem de um Tempo Mau”, no Teatro de Arena, mas foi censurado. O jeito foi realizar uma única sessão clandestina, para a classe teatral. Seu texto seguinte, “Jornada de um Imbecil até o Entendimento”, encenado por João das Neves no Grupo Opinião, gera polêmica e também é censurado. Em 1966, enfim, consegue realizar sua estréia nacional com “Dois Perdidos Numa Noite Suja”, com direção de Benjamin Cattan.

Durante os últimos anos da década de 60 e os primeiros de 70, Plínio foi preso duas vezes e detido para diversos interrogatórios. Nessa época todas as suas peças estavam censuradas. "Eu, há dezessete anos, sou um dramaturgo. Há dezessete anos pago o preço de nunca escrever para agradar os poderosos. Há dezessete anos tenho minha peça de estréia [Barrela] proibida. A solidão, a miséria, nada me abateu, nem me desviou do meu caminho de crítico da sociedade, de repórter incômodo e até provocador. Eu estou no campo. Não corro. Não saio. E pago qualquer preço pela pátria do meu povo." (trecho da biografia publicada no site oficial do dramaturgo).

Obrigatoriamente calado no teatro, Plínio começa a escrever obras não-teatrais. “O Querô”, livro publicado em 1976, ganhou o Prêmio APCA de melhor romance. A partir da década de 80, intensifica a realização de debates e palestras em faculdades e universidades e diversos locais pelo Brasil. Em 1984, estréia o espetáculo solo “O Palhaço Repete seu Discurso”.

Em 1985 é internado no Incor por causa de um infarto. Nesse mesmo ano ganha os prêmios Molière e Mambembe por "Madame Blavatsky". No começo da década de 90, criou o curso “O Uso Mágico da Palavra”. E continuou a tradição de ministrar aulas em diversas localidades. Em 1993, ganha o Prêmio Shell por "Querô, uma Reportagem Maldita". Dois anos depois, impressiona com a peça “O Assassinato do Anão do Caralho Grande”. Em 1998 recebe o título de Cidadão Emérito da Câmara Municipal de Santos. Mas seu coração carecia de descanso. Plínio Marcos morreu no dia 19 de novembro de 1999, aos 64 anos.

Veja aqui artigo de Zé Celso sobre o dramaturgo

E aqui reportagem sobre os 10 anos sem ele

Site oficial http: //www.pliniomarcos.com/

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A Carreira

  • 1958 – “Barrela”

    1960 – “Os Fantoches”
    - 1ª versão de “Jornada de um Imbecil Até o Entendimento “

    1963 – “Enquanto Os Navios Atracam”
    - 1ª versão de “Quando as Máquinas Param”

    1965 – “Chapéu sobre Paralelepípedo para Alguém Chutar”
    - 2ª versão de “Os Fantoches”
    - “Reportagem De Um Tempo Mau
    - As Aventuras do Coelho Gabriel (infantil)

    1966 – “Dois Perdidos Numa Noite Suja”

    1967 – “Dia Virá”
    - 1ª versão de “Jesus-Homem “
    - Navalha Na Carne
    - 2ª versão de Quando As Máquinas Param
    - 2ª versão de Enquanto Os Navios Atracam

    1968 - “Homens De Papel”
    - Jornada De Um Imbecil Até O Entendimento
    - 3ª versão de “Os Fantoches”

    1969 – “O Abajur Lilás”
    - Oração Para um Pé-de-chinelo

    1970 - Balbina de Iansã

    1976 - Feira Livre - opereta

    1977 - Noel Rosa, o Poeta da Vila e Seus Amores

    1978 - Jesus-Homem

    1979 - Sob O Signo Da Discoteque
    - Querô, Uma Reportagem Maldita - a adaptação de seu romance

    1985 - Madame Blavatsky

    1986 - Balada De Um Palhaço

    1988 - A Mancha Roxa
    - O Coelho e a Onça - História dos Bichos Brasileiros -(infantil)
    1989 - Assembléia dos Ratos (infantil)
    1993 - A Dança Final

    1995 - O Assassinato do Anão do Caralho Grande - adaptação de sua novela

    1996 - O Homem Do Caminho – adaptação de conto

    1997 - O Bote da Loba

    Chico Viola (inacabada)
    Seja Você Mesmo (inacabada)

    As datas são referentes ao ano em que as peças foram escritas.