Misto Quente

Cena de "Clandestinos"/Foto de Marco Antonio Gamboa

23-08-2010 ////////

Clandestinos

Espetáculo chega ao cinema e à TV

Quando João Falcão teve a ideia de reunir jovens atores vindos de várias partes do país para montar uma oficina que daria origem a um espetáculo, ele não imaginava quantos frutos ia colher com esse projeto. “Clandestinos” alçou voo no palco do antigo Teatro Glória, no Rio de Janeiro, e foi parar na tela da TV e no cinema. De três mil inscritos, o diretor precisou escolher 30 artistas para participar de oficinas gratuitas de dramaturgia, criação de personagens e interpretação que originaria a primeira montagem da Companhia Instável de Teatro. Desses 30, apenas 14 fazem parte do elenco do espetáculo.

Falcão acreditava no potencial da peça e pensou em transformá-la em uma série televisiva com sete episódios. Então, convidou Guel Arraes para avaliar e logo depois o projeto foi aprovado na TV Globo: “É um tipo de dramaturgia diferente, com vários atores desconhecidos. O formato é experimental porque a gente mistura partes documentais, que filmamos durante todo o processo das oficinas, com ficção”. O diretor conta que mexeu na linguagem teatral para adaptar “Clandestinos” para o formato de seriado: “No teatro, você edita as cenas no palco, corta, dá close. A TV exige uma interpretação menos desenhada, um pouco mais contida. Foi uma grande experiência para esses atores”. Antes da estreia da série, que acontece dia 4 de novembro, o “Fantástico” vai exibir, a partir do dia 31 de outubro, “Clandestinos.doc”, que mostra em pequenos flashes a vida de cada um dos atores.“Clandestinos” também vai chegar às telas do cinema em forma de documentário. Dirigido por João Falcão e por Mônica Almeida, o filme vai mostrar todo o processo, desde o primeiro teste até as gravações da série. Ainda sem data de estreia, o documentário está em fase de finalização.

João Falcão tem uma extensa carreira no teatro, no cinema e na televisão. Ele começou a trabalhar nos palcos em 1980 e tornou-se um dos diretores e dramaturgos mais importantes e premiados dos últimos anos. Escreve, dirige e compõe canções para teatro, televisão e cinema. Para a TV Globo, adaptou e dirigiu, dentre outros, os especiais “O Coronel e o Lobisomem” e “O Homem que Sabia Javanês”. Criou e dirigiu os programas “Homem Objeto”, “Sexo Frágil”, “Programa Novo”, a série “7 Pecados”, exibida no programa Fantástico, e escreveu episódios para a série “Os Normais”. Em parceria com Guel Arraes na TV Globo, produziu alguns dos melhores momentos da televisão brasileira, como as séries “A Comédia da Vida Privada” e “Auto da Compadecida”.

Em teatro, dirigiu o clássico de Moliére “O Burguês Ridículo”, em parceria com Guel Arraes. Em 1998 escreveu, dirigiu e musicou a peça “A Dona da História”, especialmente para Marieta Severo e Andréa Beltrão. No mesmo ano escreveu e dirigiu o seu primeiro monólogo, “Uma Noite na Lua”, estrelado por Marco Nanini e foi vencedor dos Prêmios Shell e Sharp, nas categorias Melhor Autor e Melhor Diretor. Repetiu a parceria com Marco Nanini e Marieta Severo em “Quem Tem Medo de Virgínia Wolf?”, em 2002.

Adaptou para o teatro e dirigiu o romance de Adriana Falcão “A Máquina”, que lançou os atores Wagner Moura, Vladimir Brichta, Lázaro Ramos e Gustavo Falcão, e em 2006 transformou-o em filme. No mesmo ano dirigiu seu segundo longa-metragem, “Fica Comigo esta Noite”. Adaptou e dirigiu “O Pequeno Príncipe”, com Luana Piovani, vencedor dos Prêmios Qualidade Brasil e Criança do Brasil e Coca-Cola; “Dhrama”, com Alinne Moraes e Oswaldo Mil; e “Ensina-me a Viver”, com Gloria Menezes, vencedor do Prêmio Qualidade Brasil - Melhor Espetáculo de 2008. Em 2009 “Clandestinos” recebeu o prêmio APTR de Melhor Autor e o prêmio Qualidade Brasil de Melhor Diretor Teatral de Comédia.
 

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