Palco Social
06-08-2010 ////////
Periferia invisível
Projeto sociocultural promove arte e cultura na zona leste de São Paulo
O projeto Periferia Invisível vem agitando a cena cultural da Zona Leste de São Paulo com programação que mistura teatro a outras artes. A iniciativa tem como intuito promover e tornar viável a criação e produção cultural na região, atrair jovens para o teatro, que até então era um atrativo de bairros distantes.
Moradores da região da Vila Cisper, os amigos Binho Santana e Hamilton Fernandes, velhos parceiros do projeto “Amigos da Multidão” da Cia. Estável de Teatro, chegaram à conclusão de que precisam criar e produzir cultura na região, assim como levar a população local a utilizar os serviços culturais e artísticos oferecidos para a comunidade. Para isso, convidaram Renato Adriano Rosa que ajudou a colocar no papel o projeto Periferia Invisível. Com o tempo, Ederson Martins, Andreza Helena, Bruno Veloso, Thiago Bad e Gustavo Stu se juntaram ao grupo e o padre Zaga ofereceu um espaço ocioso ao lado da Paróquia Santa Luzia.
Sem ter caráter assistencialista, a intenção é mostrar que na periferia existem pessoas capazes de produzir arte e cultura, trazendo novas ideias e modificando o ambiente em que vivem sem ter que migrar para regiões nobres para buscar arte. “O que ocorre, na realidade, não é a falta de manifestações e sim da visibilidade. O Periferia Invisível não nasceu com o intuito de movimentar sozinho a cultura na periferia da Zona Leste, mas sim com a intenção de fortalecer um corpo de artistas e projetos, fazendo com que a comunidade participe ativamente deste processo agregando em sua bagagem a valorização da cultura" , explica Hamilton.
Durante pouco mais de um ano de existência, o projeto conseguiu trazer arte e cultura para a região através de eventos e apresentações de grupos da própria região ou de outras regiões. O Sarau Periferia Invisível, que ocorre desde março de 2009, já se tornou um evento tradicional no bairro, com apresentações de música, teatro, dança e até improvisações de poesias e beatbox. “A iniciativa do sarau nasceu da necessidade imediata de se colocar em funcionamento as práticas culturais e de conhecer as vontades, os gostos e o que o nosso público conhecia como cultura,” conta Hamilton.
Oficinas de música e teatro são oferecidas semanalmente em Ermelino Matarazzo. Atualmente há três projetos paralelos: a coordenação de jovens da região para encenar “A Paixão de Cristo”; a produção do curta Traços de Pâmela, em parceria com a Cia. Extremos Atos; e a montagem da peça “O Excluído”, para mostrar às grandes empresas que vale a pena investir em um projeto periférico. Hamilton explica que a montagem “mostra que é possível se fazer arte, mesmo que o recurso inicial tenha que partir de nós mesmos, que trabalhamos em outros setores para manter o projeto, para manter nossos sonhos.”
Dificuldades fazem parte da trajetória. Manter as atividades regularmente, remunerar os artistas e divulgar o trabalho para conseguir apoio financeiro são algumas delas. “Atualmente contamos com trabalho voluntário tanto da equipe administrativa quanto da artística,” explica Hamilton. Além disso, há a venda das camisetas do projeto e de produtos que são vendidos nos saraus. A divulgação é feita pela internet, cartazes e boca-a-boca. Uma das grandes conquistas da trupe é o fortalecimento da rede cultural periférica. “Hoje temos contatos e projetos com diversas iniciativas de todos os cantos da cidade, grupos como a Cia. Extremos Atos, O Grupo do Balaio, Clacket: Cine Favela, Teatro Silva, Coletivo Literatura Subsolo. Trabalhamos para engrandecer estes trabalhos e tornar a cultura na periferia algo essencial”, conta Hamilton.
Para o futuro, a ideia é ampliar o projeto para atingir um número maior de pessoas. Quem mora na região e quer participar ativamente no projeto pode contribuir de várias formas, desde divulgando sua própria arte até participando de eventos e indicando grupos. “Nosso maior anseio é que o Periferia Invisível torne-se um polo cultural, tal qual é hoje o espaço do Pombas Urbanas na cidade de Tiradentes, em Minas Gerais, conquistando recursos materiais como palco adequado, assentos e outros bens necessários para o bom desenvolvimento do trabalho. Para isso, estamos em um trabalho profundo de pesquisa e elaboração de projetos para futuros editais”, diz Hamilton.
Periferia Invisível
www.periferiainvisivel.com.br
contato@periferiainvisivel.com.br
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