Palco Social
13-10-2009 ////////
Bando de Teatro Olodum amplia horizontes
Nascido no Pelourinho, grupo já contabiliza 19 anos formando atores
Com o objetivo de incluir os negros nos palcos baianos, discutir os problemas raciais brasileiros e enfatizar a importância que as tradições e heranças africanas deixaram na Bahia, o diretor e atual Secretário de Cultura da Bahia, Márcio Meirelles, propôs ao Grupo Cultural Olodum a construção de um grupo de teatro: “Não existia uma dramaturgia, uma estética, nem uma sistemática de transposição para os palcos dos problemas atuais do negro no Brasil como tema, nem de sua tradição cultural como matéria-prima”, lembra Márcio.
Com 19 anos de existência, o Bando de Teatro Olodum, que nasceu no Pelourinho, revelou atores como Lázaro Ramos (leia entrevista com o ator), a cantora Virgínia Rodrigues, e ganhou notoriedade com o filme “Ó Paí, ó!”, baseado em peça homônima (assista a trechos do espetáculo) que também virou minissérie da TV Globo. A segunda temporada da série tem estreia prevista para novembro.
Apesar de ter construído uma trajetória bem sucedida, Márcio diz que o Bando já enfrentou dificuldades por colocar em pauta um país que ainda não resolveu suas questões raciais: “Penso que a força dessa escolha e da verdade que levamos para o palco fez com que enfrentássemos a resistência de uma sociedade nada aberta para discutir temas como a desigualdade racial, o racismo e as práticas preconceituosas cotidianas camufladas pela suposta ‘democracia racial’”. Quatro anos depois de sua criação, o projeto cresceu e se separou do Grupo Cultural Olodum, associando-se ao Teatro Vila Velha (www.teatrovilavelha.com.br).
As oficinas do Bando têm a intenção de criar artistas versáteis, por isso, além de aulas de interpretação teatral, eles aprendem técnicas de dança, música e canto. O grupo preocupa-se também com a criatividade dos atores, de modo que os espetáculos são estruturados a partir de muita improvisação: “Não criamos nenhum método novo, mas uma forma própria de fundir informações teóricas, práticas, observações, pensamentos, vivências e estéticas para estarmos no palco representando o mundo do nosso ponto de vista”, conta Meirelles.
Um dos trabalhos mais conhecidos do Bando de Teatro Olodum é “Ó Paí Ó”, peça que foi encenada pela primeira vez em 1992. O texto tem como base o cotidiano de personagens do Centro Histórico de Salvador. Em uma temporada no Rio, o cantor Caetano Veloso assistiu ao espetáculo e teve a idéia de transformá-lo em filme em 1997. O projeto não deu certo e, em 2005, Lázaro Ramos apresentou o trabalho à TV Globo, que transformou a peça em minissérie. Em 2007, Monique Gardenberg finalmente rodou a adaptação para cinema.
Em quase duas décadas, o Bando de Teatro Olodum já produziu cerca de 30 espetáculos. Com a montagem de “Sonho de Uma Noite de Verão”, apresentado no Rio de Janeiro, em Brasília, em Porto Alegre, em Vitória e na Alemanha, o grupo venceu o Prêmio Braskem de melhor espetáculo. Já a peça “Cabaré da Rrrrraça”, que estreou em 1997, foi vista por mais de 37 mil pessoas ao longo de seus 11 anos em cartaz, em mais de 240 apresentações em diversas cidades brasileiras, além de Portugal e Angola. E, em 2007, o Bando estreou “Áfricas” (assista a trechos da peça), seu primeiro espetáculo infanto-juvenil.
Márcio Meirelles acredita que o Bando conseguiu alcançar o objetivo proposto desde o início e diz que hoje o grupo é referência para muitos jovens brasileiros e para outros grupos de teatro: “Acredito num jeito negro de representar o mundo, porque o mundo tem sido diferente para os negros. As expressões humanas são moldadas também por sua história”.
- 13-10-2009Antes e Depois do Nós do Morro
- 13-10-2009Nós do Morro segundo Guti Fraga
Ao mestre, com carinho
Espetáculo itinerante
Caminho da Cultura
A corrente do bem