Palco Social

Rogério Blat/Divulgação

13-10-2009 ////////

Rogério Blat e o Palco Social

Paixão por um projeto teimoso

Como você avalia a trajetória do Palco Social durante esses 16 anos?
Este é um projeto teimoso. Passamos por diversas fases, algumas bem difíceis, mas o saldo sempre é positivo. Trabalhamos com pessoas de todas as idades e classes e as conquistas se extendem além dos resultados artísticos, pois estamos influenciando pessoas a pensar e agir de maneira mais íntegra.

Os seus espetáculos do Palco Social são sempre ligados à temas relacionados com a cidadania. Você se preocupa com o tema ou escreve porque a ONG tem a ver com o assunto?

Não há separação daquilo que faço na ONG e o que vivo. Eu uso o teatro para exorcizar tudo o que me incomoda e mantenho minha percepção aguçada para captar os problemas coletivos que merecem ser discutidos e sanados através do riso. Os temas das peças são dramáticos por natureza e ao transformá-los em graça, brincadeira e deboche, alcançamos um nível de reflexão saudável e marcante. Rimos de nós, da sociedade imperfeita. As peças são espelhos côncavos, onde experimentamos de forma extravagante a distorção dos valores em curso.

Fale um pouco sobre a peça “Sorria, Você Está Sendo Roubado”.

Quero discutir esse estado de insegurança pública e desconfiança generalizada que se instalou entre nós já há algum tempo. Expor a sensação de estar sendo ludibriado em inúmeras situações, esse estado de alerta constante que vivemos quando não sabemos direito de onde virá a próxima ameaça. Isso em todos os níveis: posso receber um vírus pela internet, pagar um imposto indevido ou ser sequestrado.

Vocês já ganharam diversos prêmios. O que eles significam e qual foi o mais importante para você?

O nosso projeto é muito ralado, então qualquer prêmio é uma carícia.Todos foram importantes. Principalmente quando tem dinheiro, pois ganhar apenas troféu é chato. Também já perdemos muitos outros e, avaliando os jurados, foi melhor assim.

Há algum espetáculo que tenha sido mais especial nesses 16 anos da ONG?

Com certeza o "Diferente Igual à Gente" onde conseguimos uma comunicação mágica com o público e teve a participação do meu querido irmão Ricardo Blat.

O que te dá mais prazer em fazer parte do Palco Social?

É de estar com a galera fazendo teatro, livre.
 

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