Palco Social

Augusto Boal e os curingas do CTO/Divulgação

06-01-2010 ////////

A corrente do bem

Centro do Teatro do Oprimido promove a cidadania através da arte

Criado no Rio de Janeiro em 1986, o Centro do Teatro do Oprimido é uma associação sociocultural fundada por Augusto Boal (1931-2009), que cria e executa projetos artísticos focados nas camadas menos privilegiadas da sociedade, com objetivo de democratizar os meios de produção cultural, fortalecer a cidadania e, assim, transformar a realidade de muitos cidadãos. Um grande legado deixado pelo mestre (e por que não semeador?) Boal, que hoje é comandado por uma equipe de curingas engajados em sua proposta. Todos com a certeza de que a cada passo, grande ou pequeno, se constrói um mundo melhor.

Não há quem saia indiferente ao conteúdo das aulas ministradas pela ONG. São projetos e trabalhos pedagógicos de arte que buscam o desenvolvimento pessoal de cada indivíduo, além de estimular a criação de grupos populares em comunidades carentes. “Estar neste projeto é fazer parte da transformação do mundo”, afirma a atriz e bióloga Helen Sarapeck, coordenadora da instituição. “Cada pessoa que usa método do Teatro Oprimido dá um passo neste sentido, por uma sociedade sem tanto preconceito, homofobia, opressão contra mulher e racismo. Acreditamos que seja possível.”

O método funciona como uma corrente do bem. Forma agentes multiplicadores que levam o ensinamento para mais pessoas, de diversas localidades. “O CTO já está presente em mais de 70 países, a gente não tem mais o controle de onde está”, conta Helen. “Boal ministrava oficinas não só para os curingas (agentes do CTO). Ele falava para 20 pessoas que repassavam para 40, 60 e por aí vai. É uma teia cultural”.

Segundo os curingas do CTO, o teatrólogo sempre insistiu que as técnicas que compõem o Método do Teatro do Oprimido não surgiram como invenção individual e sim como consequência de descobertas coletivas. “Ele criou um sistema que depende do outro para se completar, se esse outro usar o método para transformação social. Ele faz uma coisinha pequena que irradia”.

Na década de 70, quando foi exilado, Augusto Boal viajou por diversos países e se instalou na França, onde fundou o primeiro centro de difusão de sua teoria. Na década de 80, retornou ao Rio de Janeiro, a convite do então Secretário de Educação Darcy Ribeiro, para implantar o projeto da Fábrica de Teatro Popular, que capacitou a primeira turma de animadores culturais de Boal. A partir deste grupo, foi criado o Centro de Teatro do Oprimido.

Em 1996, o CTO tornou-se uma organização não-governamental e abriu espaço para projetos com fundações internacionais e nacionais, prefeituras e governos. Diversos grupos são criados e mantidos, enquanto a pesquisa sobre as possibilidades do Teatro do Oprimido são aprofundadas e novas leis são criadas. Em 2009, foi realizada a Conferência Internacional do Teatro do Oprimido.

Até maio, o CTO realiza no Brasil e nos países africanos Guiné-Bissau e Moçambique o ‘Laboratório Madalena’, que busca percursos de expressões estéticas e narrativas a partir do corpo feminino. A experiência cênica é voltada para mulheres empenhadas em investigar as especificidades das opressões enfrentadas, além do estudo da criação de medidas efetivas que contribuam para o fim dessas opressões e para a igualdade entre os sexos. O laboratório é gratuito.

Mais um passo ao encontro do mundo mais humano que Boal sempre sonhou. “A gente sabe que se apenas um aluno concluir o curso e repassar o que aprendeu já é muito. Porque ele passará nossos ensinamentos para uma dúzia de pessoas que poderá multiplicar para centenas”, prospecta Helen, orgulhosa. “O Teatro do Oprimido é um caminho na transformação social eu sinto que estou mudando o mundo. Sinto que a gente não veio para o mundo para vê-lo passar e sim para transformá-lo. Esse era desejo de Boal e a missão de todos que trabalharam com ele”.

Centro do Teatro do Oprimido
www.cto.org.br
Saiba mais sobre a vida e a obra de Augusto Boal
 

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