Reportagens
13-01-2010 ////////
Restos
Antônio Fagundes monta monólogo de Neil LaBute que fala sobre perdas
Antônio Fagundes está de volta aos palcos cariocas com o espetáculo “Restos”, dirigido por Márcio Aurélio. É a primeira vez que os dois trabalham juntos, em uma parceria que promete ser longa. A peça, que já foi apresentada em São Paulo no ano passado, é baseada no texto do contemporâneo Neil LaBute, e promete trazer aos palcos polêmicas sobre assuntos atemporais, como a perda e a celebração da vida.
Neil LaBute
Vi um filme dele que me impressionou muito, “Na Companhia dos Homens”. Estava procurando um texto para montar e gostei demais de “Restos”. Achei bastante interessante e impactante. Neil LaBute tem uma dramaturgia extremamente moderna, próxima do público e ao mesmo tempo polêmica, que desperta discussões. Costumo brincar de dizer que gosto de ver o público conversando sobre o espetáculo durante cinco minutos após a peça, e o LaBute propõe uma discussão mais longa. E em momento algum este texto se esconde atrás de posturas cult. Ele é um ator para grandes plateias. O texto tem humor, suspense e uma forma apaixonada de se aproximar do público.
Márcio Aurélio
Há anos estava planejando trabalhar com Márcio Aurélio, diretor fabuloso, com quem já tinha cruzado algumas vezes, mas nunca tinha trabalhado. Estávamos há muito tempo procurando um texto que os dois gostassem. Mandei “Restos” para ele, que também se apaixonou, e resultou no espetáculo belíssimo que montamos.
O texto
A peça tem uma grande jogada. É um truque, um golpe teatral que revoluciona tudo o que foi colocado em cena até os últimos minutos. Fora a peça se passar em um velório, ela é uma grande celebração da vida. O texto fala de grandes paixões e grandes amores. O velório é do maior amor da vida desse cara. É uma peça que fala sobre a entrega. Menos sobre perdas e mais sobre entregas.
Conversas com a plateia
Faço isso há mais de trinta anos. Fazia uma vez por semana e agora com essa montagem comecei a fazer todos os dias
e é muito bom. A plateia se diverte bastante, além de ter informações que normalmente os atores não costumam dar. O mais interessante é ver a análise que fazemos juntos do que o público acabou de ver. Aparecem perguntas muito engraçadas.
O monólogo
O monólogo é um trabalho fabuloso que coloca o ator com domínio do espetáculo. Está tudo na mão dele: cenário, figurino, texto. Se ele não segurar e se comunicar com força com a plateia, vai tudo por água abaixo. É uma responsabilidade grande.
Making of
Coloquei o making of do espetáculo no YouTube. Percebi durante as conversas com a plateia que eles precisavam de informações básicas anteriores, de difícil acesso. Então fiz esses filmes curtos que contam como é o processo de produção, iluminação, tradução, montagem do cenário, luz, divulgação, entre outros.
Próximos Passos
Estou com a agenda apertada este ano. Vou deixar para pensar no ano que vem, mas a peça tem uma carreira longa pela frente.
Mais sobre o espetáculo aqui.
Veja entrevista com ator aqui.
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