Reportagens

Atores da Cia. Lua Lunera/ Foto de Guto Muniz

13-01-2010 ////////

Aqueles Dois

Quatro atores se revezam num mesmo papel

A celebração da amizade é o tema do espetáculo “Aqueles Dois”, em cartaz no Rio de Janeiro até 7 de março. A peça ganhou o Prêmio Shell de Teatro em 2009 pela iluminação e recebeu indicação nas categorias Melhor Direção e Cenário. Baseado no conto homônimo de Caio Fernando Abreu, o espetáculo narra o cotidiano de uma repartição pública, onde laços de amizade começam a aparecer entre dois funcionários, o que incomoda os outros. A direção é de Cláudio Dias, Marcelo Souza e Silva, Odilon Esteves, Rômulo Braga e Zé Walter Albinati, da Companhia de Teatro
Lua Lunera, de Belo Horizonte. Os quatro atores se revezam no palco nos papéis dos colegas de trabalho Raul e Saul.

Cláudio Dias conta que o texto de Caio Fernando Abreu tocou a todos os atores imediatamente. “Um conto lindo que falava de encontro e amizade. Acho que montamos porque achamos bonito de verdade”, afirma. De acordo com Cláudio, o trabalho na peça uniu os atores do grupo, que passaram por um período de vacas magras e estavam preocupados com a falta de verbas. “Quando voltamos a realizar trabalhos artísticos, foi o contato que nos uniu e nos fez tocar o corpo do outro, nos fez encontrar novamente o companheiro. O conto falava justamente do que estávamos passando”, completa.

Dividir a direção entre todos os integrantes do grupo foi um desafio produtivo de acordo com Cláudio Dias. “Cada ator teve um período para realizar sua proposta de direção. A cada semana nasciam ideias, cenas, imagens que ao final foram colocadas dentro de um roteiro que foi sendo editado, escrito, experimentado e reescrito”, diz. Marcelo Souza e Silva concorda. “Somos de uma geração em que o ator busca autonomia na criação, sendo agente ativo da dramaturgia. Em alguns momentos, no entanto, foi difícil dar a palavra final em relação a determinadas cenas. Estar em cena e ao mesmo tempo ser corresponsável pela direção nem sempre são funções fáceis de serem conciliadas”, diz.

A indicação ao prêmio Shell de Teatro em 2009 coroou o trabalho dos atores e foi uma surpresa para o grupo, de acordo
com Cláudio Dias “Não imaginávamos o prêmio, mas sabíamos da força do trabalho junto ao público, do tanto que tocava e emocionava. Acho que os prêmios foram consequência desses encontros com o público”, comemora o ator.

Mais sobre o espetáculo aqui.

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